As palavras realmente têm poder
- LEANDRO BRITO
- 26 de jul. de 2016
- 2 min de leitura

Certa vez, eu estava em um ponto de ônibus e, inesperadamente, captei uma informação pronunciada por uma pessoa que conversava ao celular: “pensa bem no que vai dizer, pois as palavras têm poder”. Poder? Como assim? Eu fiquei com dificuldade para entender essa afirmação. Não conseguia estabelecer uma relação coerente entre palavra e poder. Demorei algum tempo, mas, finalmente, fui inundado pela sabedoria e consegui entender a lógica da relação.
Alguns dias após o episódio do ponto de ônibus, presenciei uma cena lamentável: duas pessoas brigando, para ser mais específico, mãe e filho. Não demorou muito para que eu entendesse o motivo do desentendimento: a senhora, sempre muito atarefada com os afazeres diários, esqueceu-se de lavar as peças de roupa que o filho iria usar para ir a uma festa com os amigos.
O “erro” da mãe despertou a fera adormecida dentro do filho. Em minutos de fúria, o ingrato jovem disparou uma série de ofensas àquela velha e frágil senhora. Como muito pesar, consigo me lembrar de alguns adjetivos usado com tamanha crueldade pelo filho: louca, retardada, inútil, incompetente, estorvo, velha, esclerosada. Entre outras, que não gosto de recordar, pois me causa uma sensação de náusea.
Diante dessa cena, percebi o poder das palavras. A cada adjetivo pronunciado, eu sentia como se uma facada estivesse sendo cravada em meu peito. Ouvir cada uma daquelas ofensas era muito desconfortável para mim. A minha vontade era de avançar em cima daquele infeliz ser humano e fazê-lo senti, na pele, os golpes que ele materializava com aquelas amargas palavras. Para mim, que nunca tive coragem de dizer uma palavra indelicada a minha mãe, foi uma tortura presenciar tamanha crueldade.
Após senti todo o desconforto diante aquela cena, fui leva a um profundo estágio de reflexão. Fiquei imaginando como aquela mãe recebeu todas aquelas palavras ofensivas. Se para mim representavam golpes de faca. Como aquelas palavras atingiram àquela senhora? Provavelmente, da mesma maneira, porém com uma intensidade inimaginável. Os olhos dela e a voz trêmula, tentando explicar o ocorrido, evidenciava o estrago que aqueles adjetivos causavam naquela mulher, que nem ao menos era capaz de se expressar com clareza.
Naquele momento, tive a sabedoria de perceber a dor de uma pessoa ao ser chamada de gorda, vesga, careca, nariguda, barriguda, incompetente, inútil; enfim, dentre tantas outras. Diante disso, pensei no estrago que as palavras indevidas podem causar na vida de uma pessoa, gerando, na maioria das vezes, traumas irreparáveis.
A partir desse momento, aprendi que as palavras realmente têm poder. Então, passei a tomar cuidado ao me direcionar as pessoas. Penso antes de dizer alguma coisa. Repenso as minhas piadas. Sempre meço as minhas palavras. E penso muito bem antes de dizer qualquer coisa, pois, hoje eu sei como as palavras podem agir negativamente, invadindo e devastando a vida de uma pessoa.