Leia  também:

[Resenha] Noturno


Quem acompanha o blog por algum tempo, sabe da minha obsessão por capas de livro. Por esse motivo, eu já comprei muitos livros por causa da capa. Noturno é visivelmente interessante. Apesar de muitos acharem a obra bonita, dessa vez, particularmente, a embalagem não foi o atrativo maior para que eu o comprasse. Meu interesse por Noturno adquiriu relevância quando tive acesso à sinopse. Bastou conhecer um pouco mais da história para me convencer de que precisava conhecer mais detalhes da trama desenvolvida por Sigler.


Desde que comprei Noturno, eu alimentei bastante as minhas expectativas. A sinopse com pitadas de mistério fez com que eu criasse várias teorias a fim de tentar desvendar os enigmas por trás da história. O começo da leitura foi bem interessante. A cada novo capítulo, eu ficava mais animado com a narrativa, sempre carregada de muitos mistérios. As coisas estavam indo muito bem até que a história teve uma reviravolta e escancarou a sua característica fantasiosa. Não estava preparado para um livro de fantasia, o que foi o suficiente para me decepcionar. Sim, não tive uma boa experiência com Noturno.


Noturno foi escrito por Scott Sigler, autor best-seller do New York Times com quinze livros, doze novelas e dúzias de contos. No Brasil, a obra chegou por meio da editora DarkSide Books. E como já é de se esperar dos livros da editora, a obra dispõe de uma qualidade surpreendente: capa dura, com detalhes de brilho em alguns traços da diagramação e ilustrações bem incríveis, que remetem a história. Um trabalho impecável e com muitos detalhes interessantes.


A história de Noturno caracteriza-se pela complexidade. Para não acabar dando spoiler, vou me atentar a apresentar o básico da trama. O livro, narrado em terceira pessoa, é contado por meio do ponto de vista de diferentes personagens. Um dos personagens centrais chama-se Bryan Clauser, detetive da sede de polícia de San Francisco. A narrativa começa a ganhar consistência quando Bryan passa ter sonhos estranhos, de assassinatos horripilantes. Tudo toma uma proporção inimaginável quando Bryan e o Amigo, Pookie, descobrem que os sonhos vão além de imaginação, sendo parte da realidade. Diante dessas coincidências estranhas, Bryan junto com Robbin e Pookie, amigos de trabalho, passam a investigar os fatos para tentar montar a quebra cabeça por trás de crimes sangrentos.


A obra é iniciada com uma enxurrada de mistérios, o que torna o livro viciante. Entretanto, conforme a trama vai se desenrolando, os elementos da realidade vão sendo substituído por fatos fantasiosos. Aos poucos, vamos conhecendo San Francisco e, com isso, temos a oportunidade de conhecer a existência de cultos bizarros, segredos inimagináveis e a existência de pactos cruciais à manutenção e à estabilidade de San Francisco. Existe uma explicação para cada um dos elementos apresentados pelo autor ao longo da história. No entanto, é preciso ler para ficar por dentro de todos os detalhes da trama.


Apesar de conter um número considerável de páginas, a leitura de Noturno é agradável e fácil, pois Sigler tem a escrita fluida, interessante e clara. A intercalação de capítulos sob o ponto de vista de diferentes personagens torna a obra ainda mais interessante, isso ajuda no desenvolvimento da história e dos mistérios. Noturno é um livro com muitos detalhes e bem criativo. Por ser uma história de crimes, assassinatos e investigações, a narrativa tem várias explicações de conhecimento biológico. Para quem gosta de Biologia é um atrativo extra, já para aqueles que não sabem sobre a disciplina, é uma oportunidade de aprender um pouco sobre genética.


Além da linguagem impecável, Noturno apresenta algumas cenas bem interessantes. Ao longo da história, o autor tomou algumas decisões que me agradaram bastante, algumas delas bem corajosas, como matar alguns personagens importantes na trama. Além disso, o fim, a meu ver, não foi muito interessante, mas não posso negar que é bem condizente com a história.


A leitura de Noturno me remeteu a um filme que havia assistido em 2013, O Último Trem, dirigido por Ryuhei Kitamura. Por incrível que pareça, no fim, percebi muitas características semelhantes entre o filme e o livro. Apesar de todas as qualidades das produções, um detalhe em específico prejudicou a minha relação com elas, os aspectos fantásticos das histórias. Eu tenho um pouco de dificuldade para me envolver com histórias de fantasia e quando há uma mistura entre realidade e fantasia, há grande probabilidade de me decepcionar e foi o que aconteceu com Noturno.



Mesmo diante da decepção, não posso negar que Noturno é um livro muito interessante. Para quem gosta de livros que mistura mistério, investigação, biologia, realidade e fantasia, é um prato cheio e com alta probabilidade de identificação. É uma obra que, diante de todas as suas qualidade, vale a pena ser lida. Por isso, fica o convite. Se você assim como eu não gosta muito de livros fantasiosos, aconselho a ir com menos expectativas, mas garanto que vale a pena a leitura.

Nota 3 - LEGAL

Informações adicionais

Autor: Scott Sigler

Tradução: Eduardo Alves

Editora: DarkSide Books

Ano: 2017

Páginas: 512

Assunto: Ficção norte-americana

Tipo de capa: Capa dura

#livros #Nota3 #legal

Sou jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmento, faço mestrado de Comunicação na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp).

Sobre mim

Publicações recentes

Marcadores

Nenhum tag.

Trecho de livro

Tudo muda, penso. Esta é a única constante. Todos crescemos (trecho de O último adeus)

© 2016 por Leandro Brito. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Google+ B&W
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now