Ser grato é ser humano
- LEANDRO BRITO
- 1 de set. de 2016
- 2 min de leitura

Recentemente, a palavra gratidão veio me fazer uma visita. Chegou inesperadamente, mas confesso que a recebi com muito bom grado. Em pouco tempo, ela me despertou um impulso de reflexão inexplicável. Fez-me perceber que sou uma pessoa grata. Sou grato à minha família por sempre me dar força. Sou grato aos meus amigos por estarem ao meu lado nos momentos em que preciso. Enfim, sou grato a todos que, de alguma forma, contribui com o meu bem estar. Entretanto, de súbito, dei-me conta que existem muitas ingratidões no mundo.
Ultimamente, ao navegar em minhas redes sociais, tenho me deparado com muitas declarações de amor de mães a filhos. Isso me fez dedicar uma atenção especial à relação entre pais e filhos. Quando penso em pais, imagino a diversidade. Não necessariamente precisa ser duas pessoas. Utilizo a palavra para me referir a pessoas, sozinha ou em companhia, que dedicam à vida aos cuidados de outro ser humano, do mesmo sangue ou não.
Os pais são aquelas pessoas que, muitas vezes, sonham uma vida inteira em ter um filho. Quando ele chega, traz junto o instinto protetor que é logo capturado pelos pais. São anos de muita dedicação para educar e proporcionar a prole o que há de melhor. Assim, se preciso, ficam noites sem dormir. Esforçam-se, ao máximo, para fazer tudo que os filhos querem. Não se ausentam. Estão lá quando o filhos precisam de uma ajuda. E, também, estão atentos para chamar a atenção quando necessário.
O tempo passa. O filho segue a sua vida. E os pais, às vezes longe, não deixam de pensar no filho. Continua dedicando a sua vida às suas crianças (engraçado, para os pais os filhos nunca crescem). A prole pode cair. Ter dificuldade. E os pais sempre estarão prontos para mover pedras e, caso necessário, montanhas, tudo para salvaguardar os filhos dos perigos e das dificuldades.
Entre preocupações e proteções, o tempo vai passando e a idade vai chegando. Os pais começam ter dificuldade para enxergar, para ouvir. A locomoção torna-se um grande desafio. Isto é, o corpo começa a ficar saturado pelo tempo, mas uma coisa continua firme e inalterada: a preocupação com os filhos. Aqui, muitas vezes, a ingratidão faz-se presente: justamente, quando um filho não reconhece as debilidades dos pais. Quando os tratam com indiferença. Quando não se livram deles, imaginando o asilo a única solução.
A meu ver, é muita ingratidão abandonar aqueles pessoas que dedicaram uma vida inteira para o nosso bem. Aqueles que estiveram ao nosso lado nos momentos mais difíceis. Aqueles que cuidaram de nós quando mais precisávamos. Aqueles que sacrificaram tudo para alcançarmos nossos objetivos. Ingratidão é a palavra certa para descrever o abandono e a falta de empatia com aqueles que só querem o seu bem.
Invoco aqui a necessidade de sermos gratos. Grato àqueles que nos amam. Grato àqueles que dedicaram toda a vida a nós. Você não tem paciência para lidar com os seus pais. Lembre-se: eles tiveram muita paciência para cuidar de você. Com certeza, o processo não foi fácil, mas eles não abandonaram você. Diante de todas as dificuldades, cuidaram de você. O mínimo que pode fazer é retribuir, com cuidado, com atenção e muito carinho. Seja grato àquelas pessoas que sacrificaram tudo em prol do seu bem.