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[Resenha] Diário de uma Escrava



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O livro Diário de uma escrava, escrito por Rô Mierling, chegou às livrarias no ano passado (2016), por meio da editora DarkSide Books. Tive conhecimento da existência dele nas redes sociais já no lançamento e confesso que fiquei superanimado para lê-lo. Demorou um pouco, mas finalmente consegui comprar a obra. Li recentemente e venho compartilhar com vocês a minha opinião sobre essa história sensacional. A princípio, gostaria de confessar que estava com um pouco de receio de prejudicar a minha leitura devido à minha alta expectativa, porém, felizmente, posso dizer que fui surpreendido, isso porque simplesmente amei Diário de uma escrava.


Antes de entrar propriamente na história, vamos conhecer um pouco da autora. Gaúcha, Rô Mierling é escritora, ghost writer e pesquisadora acadêmica. Além disso, escreve contos, poesias e crônicas, tem publicado Contos e Crônicas do Absurdo e trabalhou na organização da antologia Amor e Morte. Quanto ao Diário de uma escrava, a história foi publicada primeiramente na plataforma Wattapad, onde ganhou notoriedade e chegou a conquistar 1 milhão de leitores. E como veremos a diante, o sucesso alcançado não é por acaso, pelo contrário ele está diretamente relacionado com as inúmeras qualidades apresentadas pela obra.


Em Diário de uma escrava, já no início, conhecemos Laura, personagem responsável por escrever o diário. Como o próprio nome do livro sugere, não é o relato de uma pessoa qualquer, mas de uma adolescente sequestrada e mantida em cárcere privado em condição de escrava sexual de um psicopata frio, calculista e assassino. De acordo com a própria personagem, o diário é uma parte das lembranças dos tempos horríveis que marcaram a vida da jovem e deixaram muitas cicatrizes abertas.


Com quinze anos de idade, Laura era o tipo ideal de Estavão, cidadão estranho, porém livre de qualquer suspeita. Para alimentar os seus desejos doentios, sequestrava jovens e as leva para um sítio afastado, onde existia um lugar apropriado para manter suas vítimas: um buraco com iluminação e situações higiênicas precárias. Diferente de outras escravas, Laura consegue sobreviver mesmo diante dos descasos e das violência físicas. No livro, conhecemos todos os sofrimentos vividos pela personagem ao longo de quatro anos, morando debaixo da terra e alimentando a esperança de um dia se ver livre de Estevão, o qual apelidou de Ogro.



Diário de uma escrava, além de ser um livro pesado devido à sua temática, é uma narrativa com uma escrita igualmente pesada e carregada. Rô resolveu desenvolver o livro de uma forma realista, apresentando aos leitores de maneira nua e crua cada um dos momentos vividos por Laura. As descrições detalhistas tornam a trama um pouco forte, um verdadeiro soco no estômago do leitor. Provavelmente, as pessoas que não gostam de ler cenas fortes, como de estupro e de outros tipos de violências física, não vão se sentir bem ao ler essa obra. Eu particularmente achei algumas cenas bem chocantes, mas não consigo imaginar esse livro sendo escrito de outra forma. Achei a escolha superapropriada e, a meu ver, se tornou um dos pontos mais relevantes da narrativa.


O livro apresenta duas instâncias narrativas: uma em primeira pessoa, na qual acompanhamos os relatos forte e chocantes de Laura e outra em terceira pessoa, onde temos contato com as perspectivas dos familiares da jovem, bem como de um ex-namorado e de um policial responsável pelo caso do Maníaco das Donzelas, como ficou conhecido o criminoso. Vale fazer uma ressalva sobre a escrita. Rô Mierling tem uma habilidade incrível com as letras. Direta, simples e impecável, a redação da autora é admirável e incapaz de se colocar defeito. Além disso, a trama é muito bem amarrada. Achei elogiável também a capacidade com que a escritora construiu a personagem e as suas reações ao longo de toda a história. Dá para perceber por meio da leitura que a autora caprichou e pensou em todos os detalhes, deixando a história não apenas realista, mas também louvável. Há muito tempo que não tinha contato com uma obra tão completa e encantadora, como Diário de uma escrava.


Sou um pouco suspeito para falar desse tipo de narrativa, pois adoro histórias relacionadas à psicopatia. Como tenho muito contato com tramas parecidas, em alguns momentos fiquei com medo de estar diante de mais um livro clichê, pois lembrava a todo momento de produções parecidas, como Quarto, de Emma Donoghue. Entretanto, estava extremamente enganado. Fiquei compenetrado na leitura desde a primeira página. No entanto, quando cheguei ao fim, meu mundo caiu. Entrei em estágio de êxtase, a respiração ficou difícil e terminei a última folha com expressões de admiração e encanto. Obriguei-me a bater palmas sozinho parecendo um retardado. Esse livro mexeu com todos os meus sentimentos.


Diário de uma escrava é uma leitura intensa, forte, chocante, mas ao mesmo tempo encantadora, incrível e sensacional. Eu simplesmente amei em todos os aspectos, desde a temática até o tom pessimista carregado da história. Valeu a pena alimentar a curiosidade de conhecer essa obra incrível. Foi triste chegar ao fim dela, tanto que fiquei dias pensando e revivendo a história no meu subconsciente, a ponto de sonhar com a história. Apesar da tristeza de acabar tão rápido o livro, fiquei superanimado quando descobri que a história vai ser transformada em uma adaptação fílmica. Sei que a produção cinematográfica leva um tempo para ser desenvolvida, mas já estou mega ansioso para ver essa história nas telonas.


Bem, depois de tantos elogios, não poderia deixar de indicar o livro. Obra que pelo que estou acompanhando já vendeu muitos exemplares, tem conquistados muitos fãs e ainda vem alcançando o primeiro lugar em rankings de venda. Enfim, para quem gosta da temática, é uma leitura obrigatória. Para aqueles que não são muito chegados, fica a dica, pois é uma leitura que dificilmente desagradaria, talvez seria difícil por conta das cenas chocantes, mas só pela qualidade da obra já valeria a pena arriscar a leitura. Fica a dica.


O livro tem o selo MeUniverso de garantia.


Nota 5: SENSACIONAL







Informações adicionais

Autor: Rô Mierling

Editora: DarkSide Books

Ano: 2016

Páginas: 224

Assunto: Literatura brasileira/ Ficção policial

Tipo de capa: Capa Dura

Sou jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atualmento, faço mestrado de Comunicação na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp).

Sobre mim

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Trecho de livro

Tudo muda, penso. Esta é a única constante. Todos crescemos (trecho de O último adeus)

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