[Resenha] Bom Dia, Verônica

A atração magnética em relação à Bom Dia, Verônica tem início na sinopse da obra. Eu, pelo menos, fiquei superempolgado com o livro, assim que tive conhecimento de todo o mistério que envolvia a vida da autora. De acordo com a DarkSide Books, a identidade da escritora é um mistério até mesmo para a editora. Para quem ainda não teve oportunidade de ler, a história policial foi produzida por uma pessoa que teve uma função dentro da polícia e, por causa de uma operação secreta do passado, precisou assumir uma nova identidade a qual não pode ser revelada, por isso toda a negociação do livro foi feito por um advogado, que propiciou a publicação da obra. A história da autora já foi o suficiente para chamar a minha atenção, mas eu não esperava que a surpresa iria ultrapassar a sinopse.
Bom Dia, Verônica foi publicado pela editora DarkSide Books no ano passado (2016). Como existe um mistério em torno da identidade da autora, a obra foi publicada com um pseudônimo. O nome escolhido foi Andrea Killmore. Outra coisa surpreendente para mim consistiu em saber que o livro é de uma escritora nacional e a história se passa no Estado de São Paulo.
O livro com um pouco mais de 250 páginas é narrado sobre o ponto de vista de duas personagens: Verônica, secretária de uma corporação policial na capital paulista, e Janete, uma dona de casa vítima de violência doméstica. A trama começa a tomar consistência quando uma mulher vítima de um golpe milionário acaba cometendo o suicídio, justamente porque tem o seu direito de justiça negado pelo delegado da corporação de Verônica.
Mesmo após o suicídio da vítima, Carvana, delegado, sugere o arquivamento do caso. Nesse meio tempo, Verônica ganha notoriedade na mídia e, por conta disso, recebe uma ligação de Janete. A dona de casa entra em contato com a profissional da polícia, pois se sente ameaçada pelo marido e pressente que sua vida está em perigo, pois acredita que ele, agente da Policia Militar, pode por fim a sua vida.
Diante de dois casos de violência contra a mulher, Verônica toma uma decisão. Contrariando as ordens do chefe da corporação decide investigar por conta própria os dois casos, objetivando fazer justiça contra o pilantra que projetou um golpe milionário contra Marta, a suicida, e outra mulheres de São Paulo e, ainda, salvar Janete de um relacionamento abusivo. Entretanto, Verônica não tinha ideia de que sua decisão revelaria um caso extremamente chocante. Muito menos que a história tomaria proporções tão alarmantes.

Bom Dia, Verônica é aquele livro que prende o leitor desde as primeiras páginas. É uma obra policial que vai trazendo os fatos aos poucos, deixando o leitor preso a história, sobretudo devido ao fim de capítulos finalizados sempre com uma carregado de uma carga de suspense.
Além da história incrível, é impossível não comentar sobre a protagonista da história. Verônica é a personagem mais louca e fora dos trilhos que já vi, principalmente em livro policial. Ela foge completamente daquele perfil que estamos cansados de acompanhar em narrativas de detetives: certinhos, íntegros e super éticos. Verônica ultrapassa todas essas barreiras . Ela age de acordo com os seus próprios princípios e ideias de justiça. A personalidade cheia de defeitos nos aproximam como leitores da personagem, e gera uma empatia muito grande, sem contar na diversão de acompanhar todas as atitudes inconsequentes usadas pela personagem. Sem dúvida é uma das personagem mais encantadoras que já vi, não que concorde com as ações dela, mas ela é divertida.
Apesar de um ótimo livro de entretenimento, vejo Bom Dia, Verônica como uma obra propícia para propor reflexões e levar esclarecimento aos leitores. Digo isso, pois o livro trata de temas muito importantes, como golpes sofrido por mulheres iludidas por picaretas, a violência doméstica, a impunidade e a falta de apoio a vítimas de falsários ou maridos violentos. Nesse sentido, o livro é uma oportunidade de abrir os nossos olhos para a nossa realidade que, ao invés de prezar pelo bem estar da vítimas, muitas vezes, as colocam mais no fundo do poço. Prática que deve ser combatida, sempre.
O livro é narrado em dois tempos: um em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Verônica; e outro em terceira pessoa, de acordo com o ponto de vista de Janete. Além dessa diferenciação de narrativa, a obra é muito bem escrita, melhor, um texto que fisga a leitor em uma proporção que é quase impossível abandonar a história. Não bastasse tudo isso, a trama se desenrola com suspense, pontos de viradas, revelações surpreendentes e um fim digno de louvor. Um desfecho com a cara de Verônica. Eu simplesmente amei, cada uma das escolhas da autora.
Bom Dia, Verônica ganhou a minha admiração. Minha curiosidade foi aguçada desde o momento em que tive a oportunidade de ler a sinopse do livro. A princípio, sabia que estava diante de uma obra do meu estilo, mas eu nunca imaginei que fosse criar uma aproximação tão grande com a história e com a personagem. Fui pego de surpresa e simplesmente me apaixonei. Depois dos livros de Raphael Montes, fazia alguns meses que não sentia tamanha admiração por uma obra. Bom Dia, Verônica roubou meu coração. Resta dizer que SUPERINDICO!
O livro tem o selo MeUniverso de garantia.
Nota 5: SENSACIONAL

Informações adicionais
Autor: Andrea Killmore
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 256
Assunto: Literatura brasileira/ Ficção policial
Tipo de capa: Capa Dura